Blumenáusea
Viegas Fernandes da Costa
“Bonitinha, mas ordinária”
Flagrado
tomando um cafezinho em famosa padaria do Centro da cidade, perguntamos a
Nelson Rodrigues qual sua impressão sobre Blumenau. A resposta foi uma só:
"bonitinha, mas ordinária".
Tentamos
argumentar, dizendo que todos que visitavam a cidade, achavam-na linda e
ordeira. Nelson então respondeu, em meio ao fastio: "toda unanimidade é
burra!"
Terminou
seu café, baforou a fumaça do charuto e tornou para a vida como ela é.
Doktor
Blumenau
Há quem
diga que Blumenau deveria ostentar não o título de capital nacional da cerveja,
mas sim o de capital nacional da fluoxetina. E talvez seja verdade. É tanta a
fluoxetina consumida neste vale triste, que esta já contamina nossos esgotos e
deixa chapados os peixes teimosos que ainda encontramos no Itajaí-Açu. É
estarrecedor!
Tanta
depressão só pode mesmo ser herança maldita dos tempos que os primeiros
sem-terra aportaram por aqui. Afinal, contam alguns dos nossos historiadores
que Doktor Blumenau era depressivo. Como não o conheci pessoalmente, não assino
embaixo. Entretanto, posso afirmar que era, isto sim, um puxa-saco autoritário.
Explico.
Todo
esse papinho que nosso fundador era um humanista anti-escravagista é pura
balela. Se a então Colônia Blumenau não possuiu escravos (ao menos
oficialmente), isto se deu em função de uma lei imperial de 1848 que proibia a
mão-de-obra escrava nas colônias, e não às intenções de Doktor que, ao
contrário do que se imagina, chegou a possuir cinco escravos (afinal, quem você
pensa que construiu os ranchos para receber os primeiros colonos?).
Nosso
fundador, como todo latifundiário tupiniquim, aprendeu logo as regras de seu
novo país. Depois de levar sua colônia particular à falência, foi pedir arrego
nas barbas do imperador. Pedro II, é claro, ajudou! Comprou a massa falida e
colocou-a nas mãos de Doktor Blumenau para que este a administrasse. Em
gratidão, nosso Doktor sempre foi o puxa-saco do imperador, e não por acaso até
hoje ostentamos, lá na frente da antiga Prefeitura, o vergonhoso monumento aos
“Voluntários da Pátria” – inocentes úteis que foram lutar contra os paraguaios
numa guerra que não era nossa.
Mas o
pior de tudo era o autoritarismo e sua mente reacionária. Durante o tempo que
esteve à frente da administração da colônia, proibiu o estabelecimento da
imprensa. Nenhum jornal podia ser impresso em Blumenau sob a desculpa que o
livre debate de ideias poderia estimular desentendimentos entre a população.
Este autoritarismo manifestou-se também em sua relação com Fritz Müller. Doktor
fez de tudo para que este genial ateu materialista fosse embora daqui,
convencendo-o a lecionar na distante Desterro – hoje Florianópolis. Temia que
Fritz tornasse ateus aos colonos locais.
Depressivo,
talvez. Autoritário, certamente. Se hoje vivo, que papos não teria com o
deputado Marco Feliciano?
Suinocaminhada
Depois da "cãominhada", a população de Blumenau
poderia fazer uma "suinocaminhada". O trajeto poderia ser da Praça
Victor Konder até a grande creche da General Osório. Na coleira (com
focinheira, claro) estariam JPK e Brollo, abrindo o cortejo, seguidos pelo FF
do "Blumenau é Dez!", o parceiro do Batman e demais desbocados.
Poderíamos, inclusive, construir alguns carros alegóricos
para o evento. O abre-alas, por exemplo, poderia ostentar um enorme par de
óculos. Na sequência alguns caminhões da Foz e, fechando o desfile, o carro
intitulado "estação elevatória de esgoto", que poderia apresentar um
enorme chafariz de bosta.
Como trilha sonora o samba enredo intitulado
“Fodeu”, composto por “Pequeno Kleinubing e seus porcos amestrados”.
Carta Aberta Ao Senhor Vereador Corrupto
que Compra Votos Com Óculos.
Senhor vereador corrupto que compra votos com óculos e
demagogicamente sobe à tribuna da Câmara para defender outro colega corrupto –
colega este cujo prefeito há muito já deveria ter afastado para que se pudesse
cumprir sindicância a respeito dos seus atos. O senhor chama a atenção de nós,
cidadãos que nos manifestamos nas redes sociais e nos veículos de imprensa para
criticá-los e exigir que pessoas como o senhor
sejam expurgadas (da mesma forma como expurgamos nosso lixo mais imundo), a fim
de que nos silenciemos sob a desculpa de que pessoas como o senhor também têm
família, também têm filhos.
Senhor vereador corrupto que compra
votos com óculos, tenho pena dos teus filhos. Carregarão por todo o sempre a
vergonha dos atos do pai. Por sorte, talvez, o senhor venha a ser esquecido,
assim como os demais colegas corruptos que acreditam que nós, povo, tenhamos
que nos "foder", e assim vossos filhos encontrarão um pouco de paz.
Entretanto, senhor vereador corrupto que compra votos com óculos, gostaria
apenas de lembrá-lo do óbvio. Bastava o senhor ter tido atitudes honestas.
Bastava o senhor não ter cometido as atitudes que o Ministério Público indica
(e as escutas telefônicas comprovam), que seus filhos e toda sua família não
estariam agora se envergonhando de serem seus filhos e sua família.
Senhor vereador corrupto que compra
votos com óculos, melhor mesmo seria o senhor, e estes colegas que agora o
senhor defende na tribuna, tal qual o fazem os membros da máfia siciliana,
renunciarem a vossos cargos públicos e migrarem para a pequena Nauru, onde
poderão envelhecer esquecidos por nós.
Perguntinha bobinha
De que adianta a programação da TV local ser digital se o
envolvimento com a comunidade ainda é movido à manivela?
Escolinha do Governador Raimundo
A escolinha do Governador Raimundo tem trocentos e tantos
alunos. A escolinha do Governador Raimundo, entretanto, não tem graça nenhuma.
Solução concreta
Em Blumenau, alguém disse que o rio era um problema. Então
chamaram os japoneses, que resolveram concretar o rio.
Logo alguém irá dizer que a chuva que brota do céu é o
verdadeiro problema, e por isso chamarão os chineses, que também saberão
concretar o céu.
Cocoricó
Depois de muitos e incansáveis debates envolvendo o poder
público e a sociedade, Napoleão bate o martelo a respeito do destino do
Restaurante Frohsinn: mandará derrubar aquela gigantesca cachopa de cupins
instalada sobre o morro do aipim, e para lá transferirá a galinha da Kasulke.
Se o Rio tem seu Cristo abençoando a cidade, Blumenau terá sua galinha abrindo
suas asas sobre nós. Já que gostamos tanto de cacarejar por questões
fundamentais (como uma galinha enfiada às margens de uma rodovia e um restaurante
empoleirado sobre um morro batizado de aipim), nada mais justo que nossa ave
símbolo impere sobre nossas cabeças e projete sobre o coração de Blumenau a
sombra das suas penas.
*Publicado originalmente no Expressão Universitário, maio/junho de 2013.