AS "ERNESTIANAS" DE VIEGAS
por Luiz Carlos Amorim.
Estou lendo, também, “Sob a luz do Farol”, de Viegas Fernandes da Costa, catari

nense de Blumenau. O cara é bom, o livro é daqueles que a gente começa e vai até o fim sem parar. Podia se chamar “Crônicas Ernestianas”, pois este personagem curioso, divertido e singular permeia quase todo o livro. É um tipo inteligente, maluco, imprevisível e irreverente e o autor conta muitos “causos” acontecidos com ele.Viegas é também poeta e as crônicas onde o “amigo” Ernesto não entra são prosas poéticas das mais inspiradas e gostosas de ler. Eu já havia lido alguma coisa de Viegas no Coojornal e gostei muito do estilo dinâmico e objetivo e da maneira como ele vê os “grandes monstros sagrados” da literatura em nossa região, assim como fiquei sabendo que ele gosta de ler os verdadeiros bons autores como Quintana, Neruda, Pessoa e outros.“Sob a luz do farol”, de Viegas, saiu pela Editora Hemisfério Sul, tem 134 páginas e o endereço para pedido do livro é
hemisferiosul@san.psi.br.(23 de junho/2007)
* Amorim é escritor. Reside em Florianópolis.
SOB A LUZ DO FAROL
por Raymundo Silveira
Todo mundo conhece o escritor Viegas Fernandes da Costa, por isso nada escreverei sobre ele. Presumo, entretanto, que pouca gente leu o seu livro mais recente, “Sob a Luz do Farol”, pois se trata de um lançamento. Falei que todo mundo conhece o Viegas, mas sou capaz de jurar como raríssimas pessoas sabem que se trata de um menino de vinte e oito anos. O memorialista Pedro Nava costumava dizer que o apogeu criativo de um homem se situa entre os seus 25 e 45 anos. Embora a sua própria história o contradiga, uma vez que ele escreveu o seu primeiro livro (Baú de Ossos) aos setenta.
Quem escreve esse texto, não vê nenhuma novidade em jovens escrevendo livros. Ainda que vivendo num país onde... (Bem, não vou perder tempo, nem pôr à prova a paciência dos leitores: leiam as redações do ENEM). Porém fica perplexo quando dizem coisas tão originais, que poucos escritores veteranos seriam capazes de dizer. E pensa, também, que só deveria escrever (ou, pelo menos, publicar seja lá o que for), quem tem algo original para dizer.
É esse o ponto alto do livro do Viegas. São apenas 132 páginas. Contudo em nenhuma delas se vê mesmices, banalidades, lugares-comuns, tão freqüentes em tantos livrões que se vêem por aí. Logo no primeiro capítulo, o leitor menos avisado vai logo achando que ele cometeu um atentado à gramática. Com efeito, “Porque Lua” sugere antes uma interrogação quando, na verdade, traz uma solução poética para uma questão cuja dúvida vem implícita na própria resposta: “Porque é tão triste a Lua plena e alva, como noiva triste que se esconde sob o véu, refletida na pedra lisa e fria do calçamento, no tampo da mesa, no copo e na bebida.”
Todavia, nem só de originalidade são feitos os textos do Viegas. Confiram através destas jóias da criatividade poética: “... que diga o jornal a sua verdade, fria verdade; eu prefiro o calor da poesia.” “Ah, suas mãos ao volante! Uma palavra banal corta o silêncio. Forço esta palavra, uma resposta,, e seus lábios se movem, proferem sentenças e beijam a escuridão. Por que os seus lábios nos lábios da noite... Apenas?” “A chuva é o sangue da terra, este é o poema que brota dos olhos, do solo gretado, da seiva dos cactos.”
Como vêem, se trata da mais delicada Poesia. Concebida no calor da emoção e exposta na erupção das palavras.
Raymundo Silveira: escritor e médico. Reside no Ceará.
CRÍTICA DO SITE "A BARATA"
por Luiz Carlos Cichetto
Conheci Viegas Fernandes da Costa em 2002 e do mesmo jeito que muitos dos colunistas de A Barata: não lembro direito. O que lembro bem foi que lhe pedi, após a idéia de ele ter uma coluna periódica, um texto de apresentação da mesma e ele chegar com uma aula sobre o que era crônica. A partir daí foram um monte de aulas de crônica, do que é ser um cronista, do que é poesia em forma de prosa.Perdemos o contato por um tempo, não por culpa dele, mas minha, e quando o retomamos, Viegas me conta sobre seu livro “Sob A Luz do Farol”. O Correio Brasileiro é ingrato e demorou um pouco, mas enfim chegou. Abri rápido o envelope e encontrei um volume com uma capa que logo chama minha atenção: um “acrílico sobre tela”, com nome homônimo, de Daiana Schvartz.. Percorro as 130 páginas e depois retorno ao começo: “Porque Lua”. Sim, Viegas, Porque Lua?. Duas páginas de pura poesia, em forma de crônica, emocionante quanto uma despedida, clara e cristalina quanto uma paixão, dura quanto uma saudade. O restante do livro deve ser lido não apenas sob a luz do farol, mas também sob a luz da emoção e da arte. É, sob a luz da razão também pode, se você achar necessário.E “Sob a Luz do Farol” é assim: emoção e arte. E não existe emoção que resista á arte, e não há arte que resista à emoção. Entre as duas, Viegas ficou com ambas. Bígamo, ele ama e entende tanto a uma quanto a outra. E ficamos nós, a lastimar e invejar porque também não fomos abençoados pelos Deuses com as mesmas bênçãos. Mas eles sabem porque, e apenas os que foram agraciados pelas honras da Arte e da emoção conhecem o caminho e a razão dos deuses.Quanto á mim, resta apenas agradecer aos Deuses da Arte e da Emoção por proporcionarem o prazer de poder, com um pequeno trabalho, ajudar a mostrar a um planeta tão carente, mesmo que não perceba, de arte e emoção, o trabalho de Viegas Fernandes da Costa. Algumas pessoas nascem para brilhar... E outras para acender a luz.
*Luiz Carlos "Barata" Cichetto. Escritor e webmaster. Reside em São Paulo.
ORELHA DE SOB A LUZ DO FAROL
Urda Alice Klueger
Conheci Viegas em janeiro de 1997, quando sentamos em carteiras vizinhas para fazermos nosso vestibular de História. Ele me reconheceu de imediato, e fiquei impressionada com a sua curiosidade a meu respeito e a respeito dos outros escritores que eu conhecia. Como estávamos ali por causa do nosso gosto pela História, no primeiro momento não me passou pela cabeça que aquela curiosidade literária advinha do fato de eu estar na presença de um dos raros grandes valores que a literatura produz em cada povo.
Passamos os dois nos primeiros lugares do vestibular, ele na minha frente, o que acho uma honra. Quando março chegou e nos reencontramos na mesma sala de aula, desde a primeira semana ficou muito claro a que o Viegas vinha. Disparado, era o melhor , o mais inteligente e o mais preparado dos alunos daquela turma de História que se formou no ano de 2001, e desde o primeiro semestre do Curso que nos tornamos bons e grandes amigos, amizade da qual até hoje tenho o prazer de auferir. Logo criamos o hábito da passagem por um barzinho, depois das aulas, para discutirmos os teóricos da História, um pouco de Literatura, ou mesmo para jogarmos conversa fora.
Foi só com a nossa formatura, já dita em 2001, que houve, afinal, o tempo para se voltar à literatura e então é que fui, enfim, ofuscada pela beleza e pela luz que emanava do que Viegas escrevia. Ele já nascera Mestre, a História viera apenas como caminho, como a lhe dar substrato para seus textos mais maravilhosos, tanto em prosa quanto em poesia, embora em nenhum momento meu amigo tenha desprezado outro assunto que mexeu com sua alma, como o das suas muitas divas inspiradoras, por exemplo.
“Sob a luz do Farol” é uma coletânea de crônicas e contos seus, nascidos na famosa mesa 8 do Bar Farol, próximo à Universidade, em Blumenau. São textos que tanto nos podem fazer rir quanto revirar o que temos de mais íntimo e nos apunhalar de dor. Os textos são como afiadas espadas de luz que Viegas cria com leveza ou angústia, e que nos esperam no livro para nos atravessar.
Eu aconselho que você leia. Vale a pena.
*Urda Alice Klueger: escritora e historiadora. Reside em Blumenau, SC.